Me lembro muito bem de quando eu era pequena. Eu morava com meu pai e meu irmão mais velho , ele era meio na dele , não era de conversar , muito menos com meu pai. Meu pai era um cara animadão , fã da banda Dire Straits. Fui acostumada a viver sem minha mãe , meu pai disse que ela morreu logo depois que eu nasci. Acostumei a viver sem ela e meu pai virou a pessoa mais importante da minha vida. Tudo que ele gostava eu gostava , se ele não gostava , eu não vou gostar. Respeitava as decisões dele e fazia tudo que ele mandava. Lembro que ele passava o dia inteiro ouvindo e tocando ''Sultans Of Swing'' com sua guitarra vermelha , ele era muito bom nisso , tocava com uma leveza o solo , que chegava a emocionar. Eu gostava de guitarra , mas nunca levei jeito , o sonho do meu pai era que eu tocasse junto com ele a sua música preferida , mas eu levava jeito com bateria então eu o acompanha.
Nunca ia imaginar que essa música marcaria tanto em minha vida. Eu , meu pai e meu irmão sempre viajávamos cantando essa música , quer dizer só eu e meu pai que cantávamos , meu irmão preferia que ninguém o visse ali.
Era uma noite chuvosa , mas meu pai era acostumado a viajar em noites assim. Decidimos viajar para Norfolk. lembro que em meio de alegria ,Meu pai cantava ''Sultans'' muito alegre e eu batucando com minhas baquetas novas no banco da frente do carro e em segundos meu pai virou olhou para trás e perdeu o controle do carro. Aquele momento parecia que estava em câmera lenta , minhas baquetas voaram da minha mão , eu conseguia vê-las lentamente indo em direção ao chão do carro. Infelizmente aquela era a última vez que nós viajamos.
Eu acordei estava no hospital e logo quando abri os olhos vi meu irmão e minha única tia , meu pai odiava ela e eu também é claro , mas ela era a única pessoa da família que nós tínhamos contato.Ela me disse o que tinha acontecido Recebi alta e ela me quis levar para Boston e eu não quis , eu tenho amigos aonde eu morava , tinha uma casa e eu já sabia me virar sozinha. Meu irmão aquele ''bicho-do-mato'' quis ir com ela. Ainda bem que ela não me obrigou a ir.
Eu e meu pai sempre íamos todas as manhãs tomar café da manhã na cafeteria que ficava duas casas depois da nossa. A dona da Cafeteria era muito amiga do meu pai , sempre dizia que ele era um bom homem e que o respeitava muito. A dona da Cafeteria tem um filho da minha idade , ele é legal , tenho ele como meu amigo.
